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Esteban Tavares relembra o sucesso de "¡Adios Esteban!" e comenta sobre turnê comemorativa

Músico também falou sobre a atual cena do rock no Brasil e shows de artistas que admira

Esteban Tavares por Gabi Bertuzzo
Foto: Gabi Bertuzzo

Dez anos se passaram desde que "¡Adios Esteban!", álbum debute da carreira solo de Esteban Tavares, chegou aos ouvidos do público. De lá pra cá, o disco virou um verdadeiro clássico e Esteban seguiu com uma carreira consolidada, com canções e parcerias de palco com Humberto Gessinger, shows lotados e, mais recentemente, a notícia de que o músico vai fazer a abertura da apresentação de Fito Páez em Porto Alegre, no próximo 6 de Maio, além de ter uma série de shows marcados na Argentina.


Em anos movimentados, os clássicos também nascem. Foi assim que aconteceu em 2012, quando veio ao mundo "¡Adios Esteban!", álbum que agora é celebrado em uma extensa turnê que demonstra o sucesso do registro.


Tavares falou com a WePlay sobre o álbum, carreira e turnê. Confira a seguir:


WePlay: Já são 10 anos do “¡Adiós, Esteban!’. O que você vê de diferente em você, como músico e pessoa, de lá pra cá?

Esteban: Bom, envelheci, né, mentalmente também. Hoje, valorizo outras coisas na vida. Na época do “¡Adiós, Esteban!’ eu pegava um pequeno problema e transformava em um disco. Eu acho que este álbum nasceu muito disso. Com o passar dos anos a gente vai se preocupando com outras coisas. Hoje sou um cara muito mais tranquilo, eu era muito ansioso nessa época. Este problema com ansiedade foi um grande caminho para que o disco fosse feito. Mudei muito como pessoa, não me vejo mais naquela situação, porém acredito que foram músicas que me fizeram muito feliz e que tenho muito orgulho de tocar. Musicalmente, posso ter mudado pouco, mas como pessoa, mudei muito. Isso, claro, influencia nas minhas letras futuras.


WePlay: Você está revisitando este disco em uma turnê comemorativa agora. Como foi o processo de criação deste show novo? As músicas estão sendo executadas da mesma forma que eram tocadas na época de lançamento do álbum ou foram feitos novos arranjos e versões?

Esteban: Estou tentando respeitar ao máximo o disco. Na verdade esta experiência é para quem vai assistir ao show. Quem vai assistir tem uma memória muito grande, um sentimento muito grande, então tenho tentado executar ele de uma maneira mais fiel. Até porque, depois que a turnê acabou lá em 2012, eu também mudei muito as músicas nos shows e, agora, eu resolvi voltar aos arranjos originais, muito em parte para agradar o público.





WePlay: Se você pudesse voltar no tempo, o que faria de diferente na produção deste disco?

Esteban: Este disco foi gravado em um período muito extenso. Comecei a gravar quando ainda era contratado da Universal Music. Acabei saindo, gravei no Midas e depois regravei no meu próprio estúdio. Não me arrependo muito, pois era uma experiência nova para mim. Era daquele jeito que eu conseguia fazer um disco na época. Claro que, se eu pudesse voltar no tempo, eu gostaria de ir atrás de um produtor que poderia me orientar. Mas acho o resultado final muito legal. Acho que é um disco muito responsável pela minha carreira solo. Então deixaria ele intacto.


WePlay: Além de ter tocado com Humberto Gessinger, você compôs com ele a faixa “Tchau Radar, A Canção”. Como foi para você esta experiência, tendo em vista o Humberto ser reconhecido como um dos grandes letristas da geração anos 80?

Esteban: Sou muito fã do Humberto. Ele acabou descobrindo o meu som sem eu saber na época do Myspace. Ele me mandou uma mensagem pelo Twitter, perguntando se eu gostaria de fazer uma música com ele e disso saiu "Tchau Radar, A Canção". Compomos juntos também uma faixa para o disco mais recente dele, a música se chama "Bem A Fim". Pra mim é um super orgulho. É um cara que foi a referência máxima no quesito lírico. A turnê que fiz com ele foi maravilhosa. Na história dele tem um pouquinho da minha presença e isso é de um orgulho muito grande. Eu nunca imaginei nem conhecer o cara e acabei tocando e

fazendo música com ele. É uma sensação de felicidade que nunca vai passar. Tenho só boas lembranças e um amor muito grande pelo Humberto.


WePlay: Por falar em Humberto, você divulgou recentemente uma versão para “Vida Real”. Por que a escolha dessa música?

Esteban: Eu tenho uma piada, porque essa música não é dos Engenheiros do Hawaii, foi gravada no disco "Gessinger Trio", de 96, e eu sempre falava que o melhor disco dos Engenheiros nos anos 90 era o "Gessinger Trio", embora não fosse dos Engenheiros. Gosto de muitas músicas deste disco. Acho que "Vida Real" conversa bastante comigo, sempre conversou. Foi uma música que eu ouvi e me identifiquei muito. Eu sempre quis lançar alguma coisa do Humberto, né. Escolhi "Vida Real" e tive a participação incrível do Diego Dias, que é acordeonista da Vera Loca. Essa homenagem esta feita e quero tocar ela nos shows também.


"Vou te dizer que vejo as novas tendências no Brasil dentro do rock muito fracas. Sinto falta de empresários, gravadoras e investidores que busquem bandas de pessoas jovens."

WePlay: Além de “Vida Real”, você tem lançado outros singles desde o ano passado que em breve estarão em um EP acústico. Como tem sido trabalhar neste projeto e por que a escolha do formato acústico?

Esteban: Na verdade, este projeto começou a ser pensado na pandemia. Como a gente não podia fazer shows e reunir muita gente, eu tive a ideia de regravar algumas músicas acústicas para continuar fomentando minhas redes. Resolvi gravar músicas que foram importantes em minha trajetória e convidar pessoas que gosto muito. Foi o caso da Roberta Campos, do Lucas, do Hélio, que canta no Vanguart, do Bemti. Pessoas que admiro e sou fã. Tenho muito orgulho de ter os meus amigos comigo.



Esteban Tavares por Gabi Bertuzzo
Foto: Gabi Bertuzzo

WePlay: O seu começo na música é muito relacionado ao começo da Fresno, que emergiu junto a outras bandas que foram classificadas dentro da cena emocore. Hoje em dia, este conceito de cena parece estar mais “espalhado”. Como você observa as novas tendências dentro da música brasileira, em especial no rock?

Esteban: Ultimamente rolou um revival do emo, né? Mas o revival não é definitivo, é algo passageiro. Eu me distanciei, embora eu use muito a terminologia, mas sonoramente me distanciei. Vou te dizer que vejo as novas tendências no Brasil dentro do rock muito fracas. Sinto falta de empresários, gravadoras e investidores que busquem bandas de pessoas jovens. Estou com 41 anos, pessoal da Fresno está batendo na casa dos 40, do NxZero, também. Mas sinto falta no investimento em bandas jovens, para que exista um espaço. É muito diferente do que era a cena na minha época, onde você fazia uma banda com 18 anos, ia tocar no Hangar 110, que é uma casa clássica de São Paulo. e os shows eram lotados, porque as pessoas estavam interessadas em conhecer coisas novas. Hoje, vejo o rock muito ilhado, por falta de espaço mesmo. O Brasil, muito americanizado que é, deixou o rock um pouco de lado. Eu não estou aqui mais para fazer o meu nome, estou aqui para buscar espaço para essa galera nova, para que isso não seja extinto. É mais ou menos por aí.


"Acho que todo mundo deveria, se possível, assistir ao Chico Buarque, que é o nosso principal letrista, nosso grande compositor".

WePlay: Você é um artista com uma carreira muito bem consolidada. O que te motiva a continuar compondo e fazendo shows?

Esteban: A grande felicidade que eu tenho. Não me vejo como um cara que vai ficar em casa compondo e não vai viajar para mostrar. O show é a grande celebração de todo trabalho que tive antes. Se apresentar é o grande prazer do músico e eu realmente não consigo me ver parado. Neste ano vou para a Argentina gravar um disco e já estou um pouco nervoso, porque vou ficar um mês sem fazer shows. Sou muito apaixonado pelo palco, pelas pessoas que gostam de mim, do meu trabalho. É o que me faz feliz.


WePlay: Para terminar, você consegue falar 3 shows de artistas brasileiros que você acredita que todo mundo deveria ver ao menos uma vez na vida?

Esteban: Primeiro vou puxar para as bandas mais novas: a Zimbra é uma banda que todo mundo deveria assistir ao show, quando passar por sua cidade. É uma experiência muito boa, o Bola é um ótimo compositor, a banda é ótima. Também acho que todo mundo deve passar por um show do Humberto Gessinger, por toda a história que ele carrega. É um cara que empilha disco de ouro desde que começou. Tem uma carreira muito rica e firme. E acho que todo brasileiro, se possível, deveria assistir ao Chico Buarque, que é o nosso principal letrista, nosso grande compositor.

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